Para as gerações que, atualmente, estão no mercado de trabalho, a pandemia do coronavírus gerou uma crise econômica, social e sanitária sem precedentes. Agora, MEI, imagine esses impactos trazidos para a realidade do Brasil, onde os índices de diagnóstico de transtorno de ansiedade são os maiores do mundo!?

De fato, cuidar da saúde mental e manter o nível de atuação no mundo do empreendedorismo nunca foi tarefa fácil. Mas agora isso será cada vez mais necessário! Por isso, na Entrevista com Especialista de hoje, nós batemos um papo com a psicóloga e coach Rosana Ribeiro. Ela utilizou sua experiência em atendimento e gestão de pessoas para falar sobre inteligência emocional, home-office e dicas para não deixar a “peteca cair”!

Veja como foi a conversa, MEI:

 

Seja como profissional de RH, que atua como coach de carreiras, ou como uma psicóloga que trata de questões emocionais, você sentiu essa gravidade da pandemia em seus atendimentos?

Nas primeiras semanas, lá em março de 2020, os atendimentos diminuíram pelas próprias restrições ao trabalho presencial, e poucas pessoas aderiram ao atendimento online. Mas depois de 4 meses, aí já foi possível perceber um grande aumento da demanda, tanto em relação ao retorno dos antigos clientes como pessoas novas, que me procuraram em busca de ajuda. E conversando com colegas de profissão, eles confirmaram essa tendência: todo mundo estava com dificuldades para lidar com essa fase de angústia, luto, incerteza… principalmente para quem estava lidando com home-office e vida pessoal.

 

Por falar em home-office: essa migração abrupta certamente foi um agravante. Mas, hoje, pra quem ainda está no trabalho remoto, quais são as dicas para atuar de maneira saudável e sem ansiedade?

O principal é estabelecer uma rotina como se você fosse sair de casa. Isso incluir trocar de roupa, preparar um espaço adequado, de preferência silencioso e bem iluminado. Os horários de expediente também precisam ser claros, com intervalo para lanches, almoço, ir ao banheiro. Mas outra parte importante é conversar com a família. Eles precisam entender que, se, isso não quer dizer que está à disposição. Colocar uma plaquinha na porta dizendo estar ocupado ou em reunião é uma boa dica, principalmente se você tem crianças ou funcionários em casa.

 

Mesmo se a pessoa está bem financeiramente, mas emocionalmente não, o que fazer para que o estresse, a ansiedade ou outro tipo de problema não influenciem nas decisões e nos rumos do negócio?

É importante ter equilíbrio emocional. Pra isso, algumas atitudes e a mudança de hábitos são necessárias. Vale apostar em atividade física, meditação, procurar dicas de processo respiratório que aliviem a tensão. Adotar um hobby também auxilia para evitar o estresse, seja uma atividade artística, como pintura ou artesanato, um esporte, algo que você possa fazer com um aplicativo no celular. Ou mesmo procurar se distrair com a família, como um filme, leitura ou atividade de lazer que você possa sair sem se expor e quebrar as restrições da pandemia. São questões não diretamente voltadas ao mundo dos negócios, mas que melhoram nossa qualidade de vida. E aí, em relação ao mundo profissional, o bem-estar é potencializado com um negócio planejado, organizado e que tem a confiança de clientes, fornecedores e prestadores de serviços. Quando nós conseguimos alcançar esse equilíbrio entre as duas frentes, as decisões acontecem de maneira mais calma, concentrada, leve, ciente de todas as possibilidades.

 

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Falando especificamente sobre os MEIs: geralmente, as grandes empresas possuem setor de RH, que pode facilitar o diagnóstico e acompanhamento de muitas questões ligadas à ansiedade. Mas para o pequeno empreendedor, que atua de forma independente, a procura por auxílio profissional acaba sendo ainda mais importante?

Realmente, como são profissionais que trabalham sozinhos, independentes, é necessário ter esse apoio. É claro que muitos talvez pensem que não tenham condições de buscar essa ajuda, mas hoje, com os atendimentos online, é mais fácil encontrar profissionais acessíveis e que tenham flexibilidade de horários. Até porque, muita gente espera o fundo do poço para buscar a psicoterapia, ou mesmo algum coach de atuação para lidar com direcionamentos da empresa. Mas a verdade é que o trabalho psicológico também é preventivo. Por isso, se você sente que o medo, a raiva, a insegurança e outros sentimentos negativos estão te rondando, não deixe que isso se transforme em uma depressão, Burnout ou transtorno de ansiedade. Procurar ajuda é fundamental!

 

 

Rosana Ribeiro é psicóloga desde 1997. Tem experiência com recursos humanos, desenvolvimento e gestão de pessoas e inteligência emocional.