Oportunidade x Necessidade: a entrada de uma pessoa no mundo do empreendedorismo costuma ser dividida entre esses dois motivos – independentemente da idade, localidade ou área de atuação. E, diante da crise econômica e sanitária gerada pela pandemia, a segunda opção tem sido cada vez mais comum. Por isso, analisar os números e traçar um perfil do MEI é uma estratégia fundamental para entender o histórico e as tendências da categoria que mais cresce no Brasil.

Criada no Brasil no ano de 2008, a opção de ser um Microempreendedor Individual possibilitou que os trabalhadores informais, profissionais autônomos e microempresários pudessem se legalizar com uma carga tributária reduzida, além de garantir benefícios previdenciários que se estendem aos seus dependentes. Isso tudo dentro de um limite anual de faturamento, é claro, e com a restrição de contratação de apenas um funcionário dentro do piso da categoria.

Desde então, a economia – e o mundo como um todo – passa por transformações cada vez mais rápidas. Mas, assim como os motivos que levam alguém a empreender, será que existe algum padrão de comportamento ou retrato profissional que demonstra maior tendência para a formalização como MEI?

Atualmente, no Brasil, existem cerca de 11,3 milhões de microempreendedores individuais. E, segundo dados da mais recente pesquisa Perfil do MEI, realizada pelo Sebrae, 76% possuem o empreendedorismo como única fonte de renda e apenas 2% eram empreendedores formais antes de se tornarem MEI. O estudo também revela que 51% dos MEI em atividade tinham carteira assinada antes de se formalizar e 12% eram empreendedores informais.

Os números trazem à tona a famosa interpretação entre o copo meio cheio e o copo meio vazio: se, por um lado, muitos desses empreendedores vêm de demissões e falta de oportunidades no mercado de trabalho, por outro, a possibilidade de formalização mostra sua força como alternativa de geração de renda em um período de dificuldade.

Perfil do MEI

O levantamento do Sebrae mostra que os maiores índices dos microempreendedores individuais são formados por homens (57%), brancos (47%), com média de 42 anos de idade e que recomendam (78%) a formalização para parentes e amigos. Mas os números são muito mais profundos do que isso – seja pela diversidade de etnias, gênero e idade como pela riqueza de dados fornecidos pela pesquisa.

O perfil do MEI mostra uma renda mensal média de R$4.400,00. Quanto ao grau de escolaridade, há equilíbrio entre as classes: 39% completou o ensino médio, 31% chegou ao ensino superior e 30% parou no ensino fundamental. Além disso, as atividades com o maior número de registros são a de cabeleireiro (8,1%) e comerciante varejista de vestuário e acessórios (8%).

Reflexos da pandemia?

O local de atuação é um dos fatores que, obviamente, varia conforme o ramo do negócio. Contudo, a maior parte da categoria atua em casa (40%). Outros 28% trabalham em estabelecimentos comerciais e 11% trabalha na rua. Porém, outro dado interessante diz respeito à quantidade significativa de MEIs (57%) que estão dispostos a aprender de forma virtual ou híbrida – que mescla as atividades remotas com encontros presenciais.

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Histórico e benefícios

Para aqueles que informaram que antes de se tornarem MEI eram empreendedores informais, questionou-se por quanto tempo eles haviam permanecido na informalidade – a média das respostas foi um período de aproximadamente 10 anos.

Quando questionados quanto ao principal motivo que os levou a se tornarem microempreendedores individuais, as principais respostas foram os benefícios do INSS (26%), ter uma empresa formal (26%), emitir nota fiscal (12%) e a possibilidade de fazer compras melhores ou mais baratas (7%).