Para economista, conhecer sua empresa e ter o controle dos números são os pilares para o MEI tomar boas decisões

Além dos benefícios previdenciários, a formalização de um profissional na categoria MEI é uma questão de credibilidade. Tudo começa com o nome: de repente, o trabalhador informal passa a ser reconhecido como microempreendedor individual. Isso sem falar, é claro, da possibilidade de emissão de nota fiscal.

O problema é que esse “status” precisa ser acompanhado de uma boa gestão financeira, pois, caso contrário, as chances de a empresa não dar certo são grandes. Por isso, na Entrevista com Especialista de hoje, conversamos com o economista Paulo Afonso, Prof. Dr. das Faculdades Integradas de Jaú e Prof. Orientador do MBA ESALQ-USP. 

Ele falou sobre o perfil da gestão financeira do MEI, quais os principais problemas enfrentados no gerenciamento da categoria e como resolvê-los.

 

Quando falamos em gestão financeira, quais seriam os pilares que sustentam um bom planejamento?

A gestão financeira é um pilar muito importante para a eficiência da empresa. Inclusive, muitos empreendimentos quebram logo no início por conta da fragilidade nesse processo. Eu citaria três pilares importantes para um bom planejamento: 

  • Conheça sua empresa como ninguém – por mais que você contrate uma consultoria, você deve ser o grande conhecedor das particularidades da sua empresa;
  • Controle os números e processos – isso não se trata apenas de ter em mente os valores mais importantes, como faturamento ou custo de mercadorias, mas sim detalhar todo e qualquer gastos da empresa;
  • Tome a decisão sempre embasada no conhecimento e nos números citados nos pilares anteriores.

Mas, dentro desses pilares, podem existir variações conforme o perfil da própria pessoa e a área de seu negócio? Como descobrir qual é o perfil que melhor “se encaixa” com o do empreendedor?

Quanto às dicas, eu acredito que não importa o tamanho da empresa, se é pequena, média ou grande. Porque conhecê-la e controlar os números te dá justamente essa autonomia para definir o seu perfil.

Um levantamento do Sebrae revelou que 77% dos Microempreendedores Individuais nunca fizeram capacitação em finanças, 50% registram os gastos em papel e 44% aceitam cartão como forma de pagamento. Como essas lacunas voltadas a estratégias podem ser preenchidas?

Isso é uma realidade. É muito comum encontrar empreendedores que ainda misturam a conta da empresa com a conta pessoal. Então, tenha contas bancárias separadas e defina o seu “pro-labore” – que é o salário que a empresa vai te pagar. E tenha consciência que o lucro da empresa deve ser utilizado como investimento para crescimento do próprio negócio! A gestão financeira é vital para o sucesso de qualquer empreendimento, porque somente com o controle financeiro da empresa é possível tomar decisões mais acertadas. E, em um mercado competitivo, o conhecimento faz toda diferença. 

O próprio SEBRAE tem inúmeros cursos de capacitação, em diferentes áreas. Com relação aos registros de papel, o ideal é que você tenha um sistema que controle suas contas a pagar, contas a receber, o faturamento… e é claro que registrar no papel é melhor do que não registrar. Mas o ideal é que, conforme a empresa vá crescendo, isso venha acompanhado de uma informatização. 

Buscar novas formas de gestão que incluam novas tecnologias é essencial?

Antes disso, acho que vale o reforço para as pessoas se cadastrarem como MEI. Ainda tem muita gente trabalhando na informalidade! Ter CNPJ, acesso a linha de crédito, emitir nota fiscal, direito beneficiário… são muitas vantagens!

Agora, isso posto, investir em novas tecnologias faz com com que você oriente melhor as decisões do negócio, e faz com que o lucro venha em forma de resultados mais significativos. As ferramentas que você pode ter acesso trazem benefícios para a produtividade e qualidade das entregas, por exemplo, com um retorno mais rápido do que você imagina. E esteja também presente nas redes sociais mais populares, como o Facebook, Instagram e até o TikTok. 

Paulo Afonso, economista, Prof. Dr. Faculdades Integradas de Jaú; Prof. Orientador do MBA ESALQ-USP; Consultor em Gestão e Finanças. Tem mestrado e doutorado em Energia na Agricultura pela Unesp; Pós graduado em Agronegócios e Agronergia pela ESALQ-USP. É doutorando em Engenharia de Produção na UFSCar e consultor em varejo da Associação Paulista de Supermercados; facilitador do Sebrae no programa Descomplique.